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Como todos sabemos desde há muito tempo que o Homem deseja voar. Na impossibilidade de o fazer naturalmente, inventou máquina para satisfazer este desejo. E na impossibilidade de usar estas máquinas sempre que queremos surgiram os simuladores de voo… Venham ver como podem entrar nas nuvens...
Guia de iniciação aos Simuladores de Voo Em termos de “jogos de aviões”, já há largos anos que podemos contar com excelentes simulações. E foi o provavelmente o 1º género de simulações a surgir no mercado digno desse nome. Actualmente, os simuladores de voo estão num nível de simulação tão elevado que afastam a maioria dos jogadores pois para fazer qualquer coisa num destes jogos é preciso “perder” um precioso tempo a ler enormes manuais e saber dezenas de teclas e as respectivas funções. Não é por acaso que são usados por pilotos reais para treino ou para fazer algumas coisas que na sua profissão não são possíveis. E então como começar? Bom, evidentemente temos que começar por ter o “hardware” à altura. E neste caso, tem realmente que ser um PC potente pois estes jogos são muito exigentes, e não só em termos gráficos, mas também em termos de processador. A nível gráfico, estamos a atingir detalhes assombrosos, com terrenos foto realistas e modelos ultra detalhados, e para tirar proveito disto é necessário placas gráficas muito potentes e da última geração. A maioria dos simuladores fazem também a gestão de tudo o que se passa no ar e no chão, o que obriga os jogadores a terem processadores muito potentes, caso contrário os jogos estarão completamente injogáveis. A boa notícia é que saem poucos jogos deste género, e ao contrário do que acontece noutros géneros, o computador não fica logo desactualizado. É fácil, neste género, passarem 2 anos sem sair um novo título digno de referência. É claro que isto é uma pena por outro lado, mas dado que a curva de aprendizagem de um destes jogos é grande e que a vida destes jogos é prolongada pelas excelentes comunidades, este problema quase passa desapercebido e permite poupar na actualização do pc. Sendo assim em termos de PC é aconselhável comprarem o melhor possível e ficam com a garantia que poderão jogar estes simuladores por um bom tempo.
Passemos agora aos periféricos. Logicamente é obrigatório um bom joystick. E por um bom joystick entende-se, um joystick muito preciso e com bastantes botões programáveis. Mas para tirar proveito a sério destes simuladores, é obrigatório um sistema “HOTAS”, ou seja, um sistema que tem, pelo menos, duas manetes, sendo uma delas o habitual joystick e outra para o trottle. Os sistemas mais completos têm ainda um conjunto de pedais para leme. Este tipo de sistema permite a programação de dezenas de teclas nos seus (muitos) botões, o que permite voar sem ter que ir ao teclado para realizar as funções necessárias ao voo. Em termos deste tipo de sistema só 3 hipóteses a considerar: o X52 (ou o X52Pro) da Saitek, o USB HOTAS System da CH e o HOTAS Cougar Flight Control System da Thrustmaster.
O X52 da Saitek é o que oferece a melhor relação preço/qualidade. Tem um look moderno e atraente, é muito agradável ao tacto, muito fácil de programar. Além disso, é a opção de longe mais acessível, conseguindo-se comprar por menos de 100€ na versão normal. Isto porque existe uma versão Pro e uns pedais que se podem comprar em separado. Infelizmente com muito uso os joystick da Saitek acabam por se começar a ressentir. Quem não se recente com um uso constante é o USB HOTAS System da CH, que é considerada a referência a nível mundial. São extremamente robustos e feitos para durar e durar. Com uma potência de programação quase infinita. Permitem mesmo fazer programação para novas funções dos botões, mas isso já obriga a saber escrever linhas algumas linhas de código. Mas este é o único sistema a permitir ir além da atribuição de teclas aos botões de forma eficaz. Claro que também tem uma opção simples de atribuição imediata de uma tecla a cada botão, para quem não quer perder muito tempo na programação do sistema. Podemos também encontrar, tal como no caso do Saitek programações na internet, mas claro que isto é uma má opção pois quanto mais personalizado estiver o nosso sistema, mais proveito iremos tirar do simulador. No entanto o sistema da CH não é perfeito e tem dois defeitos graves. O primeiro é o preço, para comprar o melhor dos sistemas disponíveis no mercado temos que estar preparados para desembolsar por volta de 500€. Pode ser um pouco mais se comprarmos em Portugal ou um pouco menos se comprarmos no estrangeiro. Não aconselho a comprar fora da Europa pois com portes e taxas vai ficar muito caro. O outro defeito, é o tamanho do joystick. É feito à imagem dos caças verdadeiros, mas acaba por ser pouco ergonómico. Só quem tiver uma mão enorme é que consegue chegar em condições aos botões. Todos os outros temos que fazer de vez em quando um esforço para carregar no botão certo, coisa que em manobras mais exigentes dificulta o controlo do avião. Não deixa no entanto de ser o melhor sistema para quem o poder comprar.
A meio caminho em termos de preço temos o HOTAS Cougar Flight Control System da Thrustmaster. Neste momento é uma opção com um preço um pouco superior ao X52 com preço a rondar os 150 a 200 euros. Neste caso vale a pena procurar o melhor preço. Réplica do joystick e do trottle do F16 real e feito em grande parte em metal, prometia muito, mas graves problemas de fiabilidade nos seus primeiros tempos de vida e grande dificuldade em resolver estas questões pela Thrustmaster acabaram por ditar um insucesso para este sistema, tendo a empresa optado por grandes descidas do preço inicial do sistema para tentar tornear a situação. Isto não agradou à comunidade pois não houve qualquer compensação aos primeiros compradores, a não ser muitas dores de cabeça com os muitos problemas do sistema. Fora os problemas técnicos, que em parte já foram ultrapassados, não deixa de ser um sistema com muito potencial. Tem um aspecto e ergonomia muito bons e grande poder de programação, mas só aconselhável a quem tem muita sorte nas suas compras de hardware…
E tão importante como um bom joystick é outro periférico, pouco conhecido pelo público geral, mas essencial a quem anda neste mundo e adorado por todos os pilotos virtuais. Estou a falar do TrackIR, que vai na versão 4. Este pequeno dispositivo permite colocar a “cabeça do piloto no cockpit” do avião. O piloto tem um sensor na sua cabeça, geralmente num boné, que permite aos jogos seguir a cabeça dos pilotos e fazer o mesmo movimento no jogo. Isto é, se o piloto virar a sua cabeça para a direita, por exemplo, vai ver o movimento respectivo no jogo, ou seja, no cockpit do avião. É simplesmente fabuloso. A imersão no jogo atinge um nível impensável há anos atrás e que temos que experimentar para ver quando bom é, bem como, o seu funcionamento simples e natural. Quem fizer um simples voo em formação online com um sistema HOTAS, TrackIR, e TeamSpeak vai ter uma sensação de estar lá simplesmente brutal e nunca pensará que está num simples jogo de PC. O jogo foi ultrapassado e passamos à simulação pura. O sistema HOTAS permite que nunca larguemos o joystick para ir ao teclado ou ao rato, o TrackIR permite olhar em volta de todo o nosso avião, detectando amigos e inimigos, evadir mísseis, etc, e o TeamSpeak permite a comunicação em termo real com o nosso “wingman”. Simplesmente fabuloso! Talvez impossível de transmitir por palavras… É a completa sensação de “estar lá” e só faltam mesmo as forças G para a imersão total! Não tenham medo da habituação a este periférico, pois para os simuladores de voo é imediata. Dificilmente terão que fazer ajustes na configuração, mas mesmo que tenham que o fazer é muito simples e rápido… Essencial…
Claro que se estão a pensar na parte online deste tipo de simulador devem adquirir um conjunto de microfone e auscultadores para as comunicações. Existem no mercado imensos, mas comprem de uma marca conhecida pois a qualidade de som e a ergonomia são importantes... Os vossos ouvidos irão agradecer pois provavelmente irão ser muito "massacrados". Em termos de software para comunicações o mais conhecido é o TeamSpeak e é muito fácil de usar e não costuma dar problemas. Mas há outros é questão de escolher um ao vosso gosto. Em termos de simuladores disponíveis no mercado, há para todos os gostos, civis ou militares, actuais ou a retratar épocas antigas… Vou referir apenas os mais cotados pela comunidade de pilotos vituais.
 Na simulação civil a referência é sem dúvida a série Flight Simulator da Microsoft, que vai na 10ª edição e tem uma comunidade mundial enorme, cheia de pilotos reais a jogar com os simples jogadores que sempre desejaram ser pilotos. A última versão chegou há uns meses ao mercado e vem com um grafismo muito bom, a pensar na nova geração de placas gráficas e DirectX10. Infelizmente isto fez com que muitos dos fãs da série não conseguissem para já jogar esta versão pois não tinham máquina à altura. Como características mais importantes temos: todo o planeta para voar e quase todos os aviões comerciais disponíveis, podendo mesmo ter a nossa companhia aérea.  Mas onde há mais oferta é na simulação militar, onde temos bastante oferta com toda a história da aviação militar a ser coberta pelos vários títulos. Em termos de aviação da 1ª e 2ª guerra mundial temos como principais títulos a série IL2, a série Battle of Britan, a série Fligh Combat Simulator da Microsoft, Flying Corps entre outros.
 Sem dúvida aqui o rei é a série IL2, com vários títulos, lançados desde 2001, que funcionam em conjunto (que acabam por ser apenas um só jogo no nosso PC), com centenas de aviões para voar, inúmeros cenários de guerra, bem como campanhas dinâmicas e até 128 jogadores online, faz as delicias de todos os amantes de simuladores de voo e permitindo das melhores experiências online. Neste momento só o Battle of Britan lhe faz um pouco de concorrência, mas a falta de opção online, acaba por afastar muitos jogadores desta excelente e lindo simulador.
Passando aos aviões mais recentes, vamos para a série Falcon, dando mais atenção ao seu último título, o Falcon4:Allied Force. Este é a melhor simulação existente no mercado, quer em termos de modelo de voo quer em termos de sistemas. No entanto só para quem estiver disposta a gastar muitas horas a ler o extenso manual e até conseguir dominar por completo os vários sistemas do avião. Como principais características temos o seu excelente modelo de voo e uma campanha dinâmica on-line em tempo real que permite criar guerras virtuais onde podem competir vários jogadores e que podem demorar meses até algum dos lados ganhar… Para não falar que tudo o que é abatido no ar ou no chão é contabilizado e de extrema importância para ganhar. A excelente campanha faz com que sintamos que estamos mesmo a lutar por algo e levemos a coisa mesmo a sério, pois cada avião que abatemos é importante para o resultado da guerra, bem como, cada vez que chegamos à base com o esquadrão completo dá-nos mais vantagem para o futuro. Este tipo de campanha é muito gratificante, algo que todos deviam experimentar, pois o gozo é tal que é difícil de exprimir por palavras…
Mas sem sombra de dúvida que o simulador mais conhecido dos últimos anos é o LockOn. Com vários aviões modernos de referência disponíveis é difícil não encontrar um ao nosso gosto. Com um motor gráfico que dá um grande prazer aos olhos, é também uma delícia para “andar” no ar. É pena, no entanto, que este motor não esteja devidamente optimizado pois é muito pesado e proibitivo em máquinas menos potentes ou em missões mais complexas em que tem que gerir muita coisa. Podemos optimizar os gráficos, por exemplo, para 50 FPS, mas facilmente numa missão nos aparece uma zona onde eles baixo abaixo dos 10… E infelizmente é algo que já não vai mudar pois o jogo está no mercado há anos e pouco mudou neste aspecto. Em termos de modelo de voo, o jogo é muito bom, tendo cada um dos aviões o seu próprio comportamento e sempre muito correcto. Em termos de sistemas, não tem a complexidade de um Falcon4, mas mesmo assim é preciso estar preparado para ler bastante e de preferência fazer as missões de treino para conseguir fazer alguma coisa em voo. O 2º grande defeito deste, excelente simulador, é a falta de uma campanha dinâmica. O jogo tem campanhas lineares para cada um dos aviões e existem muitas missões disponíveis na internet, mas se jogarmos um bocado em rede rapidamente se esgotam e nunca temos a noção de estarmos a contribuir para algo importante e frequentemente não nos importamos de ser abatidos, uma vez que fazemos respawn e vamos para o ar rapidamente. Sem dúvida retira bastante do realismo desejável… O LockOn deverá receber, até ao final do ano, mais um addon (Black Shark) que vai possibilitar voar o helicóptero soviético Ka-50 Black Shark. A Eagle Dynamics promete o melhor modelo de voo feito até agora para um helicóptero, bem como os sistemas mais completos e realistas disponíveis no mercado. É pena que este addon tenha sido sucessivamente adiado e que não traga mudanças significativas no motor gráfico, para permitir uma jogabilidade mais ao jeito de um helicóptero. É que o motor do LockOn tem muito pouco relevo, o que logicamente não permite tirar proveito ao máximo das capacidades do Ka-50. Esperemos para ver o que a Eagle Dynamics nos reserva.
E já que falamos de helicópteros, a simulação destes foi marcada principalmente pois duas grandes séries, a do Longbow (1 e 2) da já extinta Jane’s Simultions e a do Enemy Engaged da Razorworks com o Enemy Engaged Apache Havoc, a que se seguiu o Enemy Engaged Comanche Hokum, e que agora recebeu uma nova edição, o Enemy Engaged2 que tem o Comanche e o Hokum frente a frente novamente.
Começando pelo Longbow, a 1ª edição estava muito boa em termos de simulação e tinha das melhores missões que se podem encontrar num simulador de voo, mas faltava-lhe a campanha dinâmica e o multiplayer. Isto foi resolvido com o Longbow2, que na altura estava no limiar da perfeição. Gráficos de sonho, modelo de voo perfeito, sistemas à altura, campanha dinâmica excelente e jogável em multiplayer, bem como vários helicópteros disponíveis. Isto tornou este simulador de 1997 uma referência absoluta e que ainda hoje é jogado por muitos. Infelizmente o seu motor apresenta algumas incompatibilidades com as placas gráficas mais recentes, o que tem afastado muitos jogadores nos últimos anos.
A série Enemy Engaged tentou pegar no melhor que o Longbow2 oferecia, aliado a um motor gráfico que era bastante bom na altura, mas sem qualquer problema de compatibilidade. Motor este, que a enorme comunidade tem actualizado constantemente aos padrões de qualidade actual. A Razorworks deixou de actualizar o jogo passado algum tempo do lançamento do Comanche Hokum (EECH), mas a comuidade incansável continuou a lançar patch’s, terrenos, skins, mods entre outras coisas até aos dias de hoje. Embora os modelos de voo e os sistemas não sejam do nível do longbow2, são bastante realistas e aliado a uma boa campanha dinâmica jogável online, tem conseguido que este seja a referência actual para simuladores de helicópteros. Neste momento temos o Enemy Engaged 2 (EE2) disponível no mercado à cerca de 2 meses, mas a maioria da comunidade ainda prefere jogar o EECH dado que o EE2 ainda tem alguns bugs a corrigir e por além de trazer gráficos melhores as inovações são poucas, tendo até regredido no nº de helicópteros disponíveis para voar, passando de 4 no EECH para 2 no EE2, o que sinceramente não se percebe. De qualquer forma a comunidade não está à espera dos patch’s da editora e já começou a corrigir vários bugs, portanto, este simulador, de certeza, que também terá uma boa vida pela frente… Como podem ver, simuladores de voo não faltam no mercado e há para todos os gostos. Se sempre quiseram saber o que se sente a voar, mesmo que virtualmente não deixem de experimentar. A sensação que se tem em voo com um sistema HOTAS, TrackIR e TeamSpeak é simplesmente fenomenal… só sentindo mesmo… Não fiquem colados aos chão…
Para finalizar deixo aqui alguns videos que mostram a qualidade e potencial deste simuladores. Mas podem encontrar mais videos e screens nas galerias do site. Feedback e comentários no nosso fórum aqui. Filipe Galego - Julho de 2007 LockOn
Falcon 4:AF
IL2
EECH
Flight Simulator X
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